O estresse térmico é um dos principais fatores limitantes na suinocultura intensiva contemporânea, impactando de maneira severa o bem-estar animal e a eficiência produtiva global das granjas. Devido a limitações fisiológicas e anatômicas intrínsecas da espécie, como a presença de glândulas sudoríparas afuncionais e uma espessa camada de tecido adiposo subcutâneo, os suínos dependem fortemente da modulação etológica como sua primeira e mais eficiente linha de defesa para a manutenção da homeostase térmica. No entanto, em sistemas de confinamento e alojamento coletivo, a expressão dessas estratégias termorregulatórias individuais é diretamente influenciada e, frequentemente, restringida pela dinâmica social e pela estrutura hierárquica estabelecida dentro do grupo. O objetivo deste estudo foi realizar uma revisão sistemática da literatura científica publicada nos últimos cinco anos (2021–2026) nas bases de dados SciELO, Scopus e PubMed, analisando criticamente como a pressão social modula as respostas etológicas individuais e o acesso a recursos de resfriamento localizado em baias coletivas de suínos em crescimento e terminação. Os resultados evidenciam que animais que assumem posições dominantes monopolizam ativamente e deliberadamente as zonas de maior conforto térmico (como áreas equipadas com sprinklers, ventilação direcionada ou piso resfriado), forçando os indivíduos submissos do lote a enfrentar desafios bioclimáticos significativamente mais severos ou a adotar posturas corporais inadequadas e prejudiciais, como o amontoamento em áreas úmidas e sujas. Essa assimetria social gera uma distorção crônica nas avaliações bioclimáticas tradicionais, que se baseiam em médias gerais do lote ou em leituras estáticas do microclima. Conclui-se que a implementação de ferramentas da Zootecnia de Precisão (PLF), como identificação por radiofrequência (RFID) e algoritmos de visão computacional, é indispensável para isolar as respostas individuais, fornecendo subsídios científicos para o redesenho de instalações zootécnicas mais equitativas e eficientes.