A saúde mental constitui um dos principais desafios contemporâneos para os sistemas de saúde, exigindo abordagens capazes de integrar aspectos biológicos, psicológicos, sociais, familiares, econômicos e laborais. Este livro reúne reflexões e evidências sobre diferentes contextos de sofrimento psíquico, articulando perspectivas da Saúde Coletiva, da atenção psicossocial, da saúde do trabalhador e do cuidado a pessoas submetidas a tratamentos de elevada complexidade. A obra aborda a saúde mental infantojuvenil no Sistema Único de Saúde, destacando fatores de vulnerabilidade, violência, bullying, cyberbullying, comportamento suicida, desigualdades sociais e a importância da articulação entre Atenção Primária à Saúde, Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenis, família, escola e redes intersetoriais. Discute também as repercussões psicológicas, familiares e existenciais do adoecimento onco-hematológico e do Transplante de Células-Tronco Hematopoiéticas, incluindo depressão, risco suicida, autonomia, cuidados paliativos, finitude e custos intangíveis relacionados à dor, ao sofrimento e à perda da qualidade de vida. Outro eixo examina a precarização do trabalho e seus efeitos sobre a saúde mental dos trabalhadores da saúde, considerando sobrecarga, jornadas exaustivas, instabilidade dos vínculos, burnout, absenteísmo, presenteísmo e repercussões econômicas para o Sistema Único de Saúde. Ao integrar esses diferentes cenários, a obra evidencia que o sofrimento psíquico não pode ser compreendido de forma isolada ou exclusivamente biomédica. Conclui-se que o fortalecimento da saúde mental requer práticas integrais, humanizadas e interdisciplinares, capazes de promover prevenção, identificação precoce, cuidado longitudinal, proteção de direitos, valorização dos vínculos e respeito à singularidade dos sujeitos.